A idéia da fundação da Associação de Linguística e Filologia da América Latina, ALFAL, ocorreu durante o IX Congresso Internacional de Linguística, organizado pelo Comitê Internacional Permanente de Linguistas(CIPL / UNESCO), realizado em Cambridge, Massachusetts, em agosto de 1962. Sua efetivação, no entanto, só aconteceu dois anos depois, em uma reunião realizada pelo Instituto de Filologia da Universidade do Chile, em Viña del Mar, Chile. Entre 1966 e 1981, a ALFAL desenvolveu suas atividades em conjunto com o Programa Interamericano de Linguística e Ensino de Idiomas (PILEI). Neste período, à Associação coube a tarefa de organizar congressos, enquanto que, ao PILEI, coube promover projetos coletivos de pesquisa, simpósios e institutos. Em janeiro de 1966, foi realizado em Montevidéu, Uruguai, o I Congresso Internacional da ALFAL. O segundo ocorreu três anos depois, em São Paulo. Até 1981, quando a parceria acaba, devido ao desaparecimento do PILEI, foram realizados mais quatro congressos. A ALFAL assimilou alguns projetos que eram desenvolvidos no PILEI. A nova etapa que se iniciou a partir daí, caracterizou-se, principalmente, pela determinação em se manter a Associação, aumentar seu número de associados e estimular os interessados nas atividades da ALFAL. A partir de 1984, ocorreram mais sete congressos internacionais. O IX ocorreu em Campinas, em agosto de 1990, no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/UNICAMP). O XIII Congresso, o último realizado, aconteceu em San José, na Costa Rica, em fevereiro de 2002. A partir de 1989, passou a ser publicado o primeiro número da revista 'Linguística', que em 2002 chegou ao seu 14º número. A ALFAL é constituída por Comissões de Pesquisa, que são o núcleo da Associação. Essas comissões são integradas por especialistas, que se reúnem voluntariamente, e organizadas através de uma agenda de pesquisas, cujos resultados são apresentados nos congressos internacionais. É administrada por uma Diretoria composta de Presidente, Secretário Geral e Tesoureiro, que exercem um mandato de seis anos, sendo renovada, pela metade, a cada três anos. O órgão deliberativo máximo é a Assembleia Geral, convocada a cada três anos pelo Presidente. Seis vogais, igualmente eleitos, fiscalizam e aprovam os informes da presidência, da secretaria e da tesouraria, auxiliando-a em suas deliberações. Delegados regionais nomeados pela Diretoria auxiliam-na nas tarefas administrativas.
O Programa 'Certas Palavras' foi concebido em 1980, por iniciativa dos jornalistas Claudiney José Ferreira e Jorge Marques de Vasconcellos, e foi concretizado na forma de um programa veiculado em rádio e que versava sobre livros e ideias. O programa, que contava com uma produção independente, foi ao ar pela primeira vez em 21 de fevereiro de 1981, veiculado pela rádio Gazeta AM de São Paulo. Três meses após sua estreia recebeu premiação da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e, nesse mesmo ano, o prêmio Jabuti. Recebeu o prêmio da APCA ainda outras quatro vezes (1982, 1989, 1991 e 1995) e o prêmio Jabuti outras duas (1982 e 1988). Em Julho de 1982 passou a ser veiculado pela rádio Excelsior de São Paulo, permanecendo no ar até 1983. Voltou ao ar cinco anos depois (1988), agora pela rádio Eldorado AM. A emissora passou por uma reformulação e passou a se chamar Nova Eldorado AM. Durante este intervalo de existência do programa, Jorge Marques de Vasconcellos dirigiu, entre 1985 e 1987, um programa da rádio Cultura AM de São Paulo, inicialmente chamado 'De Letras' e posteriormente teve seu nome alterado para 'De Letras e Artes', nesse programa, ele procurou alcançar os mesmos objetivos do 'Certas Palavras'. Em março de 1991, o programa 'Certas Palavras', que havia permanecido dois anos e meio no ar pela Nova Eldorado AM, foi novamente cancelado. Porém, em julho deste mesmo ano voltou a ser transmitido pela Excelsior AM, emissora que poucos meses depois fez parte do núcleo formador da Rede CBN Brasil. Há no acervo gravações do programa Certas Palavras realizadas até abril de 1996. O programa constitui-se fundamentalmente de entrevistas ou de perfis, de um escritor ou personalidade possuidor de alguma relação com o ambiente cultural nacional, além de debates, coberturas jornalísticas de eventos do mercado editorial, e eventuais entrevistas com autores estrangeiros. O programa ainda estabeleceu intercâmbios culturais com a veiculação de produções radiofônicas e estrangeiras, como os programas 'Livros e Autores', produzido pelo Serviço Brasileiro da Rádio BBC de Londres; 'Prisma Cultural' e 'Berlim com olhos sul-americanos', ambos produzidos pela Rádio alemã 'Deutsche Welle' e, 'Meridiano Zero', produzido pelo Ministério Britânico das Relações Exteriores.
Michel Lahud nasceu no dia 8 de setembro de 1949, filho de Bechara Lahud e Victória Arbid Lahud. Fez seu estudo primário e secundário na cidade de São Paulo, entre 1956 e 1967. Em 1968 iniciou a graduação na Universidade de São Paulo, estudando nos departamentos de filosofia e de psicologia. No ano seguinte, transfere-se para a França, onde continuou seus estudos de filosofia. Primeiramente na Université de Paris VIII, onde estudou com Michel Foucault, que o aconselhou a mudar para a Université de Provence, Aix-en-Provence, onde, orientado por Gilles Gaston Granger se licenciou em filosofia em 1972 e, no ano seguinte, recebe o título de mestre em filosofia com a dissertação 'Enquête autor de la notion de deixis'. Em 1974, retoma seus estudos na Universidade de São Paulo, ingressando no doutorado. No ano seguinte, entra para o quadro de docentes do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como professor assistente do Departamento de Linguística. Em 1979 obtém o título de Doutor na USP e publica 'A propósito da noção de dêixis', tradução do mestrado que fez na França. Nesse mesmo ano, lança a tradução de dois livros que fez em parceria: 'Usos da linguagem' de François Vanoye (tradução e adaptação com Haquira Osakabe, Clarice Madureira e Éster Gebara) e 'Marxismo e Filosofia da Linguagem' de Mikhail Bakhtin (tradução com Yara F. Vieira). Entre 1978 e 1981, com uma bolsa de estudos da CAPES, faz estágio no Département de Recherches Linguistiques da Université de Paris VII e, entre 1981 e 1982, na Section 'Sémantique, Sémiologie et Linguistique' da Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris). Nesse período, publica, em conjunto com F. Franklin de Matos, o livro 'Matei minha mulher: o caso Althusser' (1981). Entre 1976 e 1983, foi membro do comitê de redação da revista 'Almanaque: Cadernos de Literatura e Ensaio'. Em 1985, faz a conferência de abertura da 'Mostra Pier Paolo Pasolini', realizada no Museu da Imagem e do Som em Campinas, São Paulo. No ano seguinte, torna-se professor do Programa de Pós-graduação em Lógica e Filosofia das Ciências do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e profere conferências no curso 'Os sentidos da paixão', promovido pela Funarte em quatro capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Curitiba. Entre 1987 e 1988, com bolsa de estudos concedida pela CAPES, foi pesquisador no Fondo Pier Paolo Pasolini em Roma. Nessa estadia, participa como pesquisador convidado da mostra 'Pier Paolo Pasolini: um cinema di poesia', realizada junto à 'Mostra Internazionale del Cinema', em Veneza. Em 1989, quando retorna ao país, transfere-se do IEL para o IFCH, tornando-se professor assistente do Departamento de Filosofia. Em 1990 publica 'Os jovens infelizes: antologia de ensaios corsários' de Pier Paolo Pasolini; livro que traduziu com Maria Betânia Amoroso. Além das obras citadas, possui ensaios e traduções publicados em vários periódicos brasileiros e estrangeiros. Faleceu em 18 de dezembro de 1992. Fontes: LAHUD, Michel. Currículo (datilografado). 2 p.; FRANCHI, Carlos. 'O caminho de Michel Lahud'. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 jan. 1993.
Paulo Alfeu Junqueira Duarte nasceu na cidade de São Paulo, em 17 de novembro de 1899, filho de Hermínio de Monteiro Duarte e de Jovina Junqueira Duarte. Estudou no instituto Champagnat, no Ginásio de São Paulo e São Bento, no Externato Pereira Barreto e no Externato Alfredo Paulino. Diplomou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo. Desenvolveu, ao longo de sua vida, as atividades de cronista, memorialista, ensaísta e tradutor, utilizando-se em suas obras de inúmeros pseudônimos, tais como Alfeu Caniço, Caniço Filho, Gabica Diniz e Tietê Borda. Ele foi um dos fundadores do Departamento Cultural da Cidade de São Paulo, da Universidade de São Paulo, e foi fundador da revista Anhembi, foi também político, professor, diretor de diversos jornais e revistas e membro da Sociedade Paulista de Escritores. Iniciou sua carreira no jornal 'O Estado de São Paulo' (1919), como revisor, foi repórter responsável pelas notícias sobre o governo e chegou ao cargo de editor-chefe, no final dos anos 40, além disso, participou de importantes episódios da vida política e cultural paulista, atuou na revolução constitucionalista e, por isso, permaneceu exilado por cerca de um ano, ajudou a articular a oposição ao Partido Republicano Paulista, engajando-se, junto com industriais emergentes, no Partido Democrático, exerceu também a função de consultor jurídico do prefeito de São Paulo e conseguiu-se eleger-se deputado estadual pelo Partido Constitucionalista. Em 1938, foi exilado pelo Estado Novo, condição que permaneceu até 1945, vivendo a maior parte do tempo na França. Em 1950, deixou o jornal e fundou a revista Anhembi, nesta revista abriu-se espaço para que intelectuais brasileiros e estrangeiros publicassem suas pesquisas acadêmicas, até 1962, quando ele foi obrigado a fechar a revista por razões econômicas. Durante a existência da revista, ele foi palco de embates com personalidades da política da época, como Adhemar de Barros e Getulio Vargas, ao mesmo tempo em que o jornalista causava polêmica devido a uma incompreendida amizade com Jânio Quadros. Ele desenvolveu ao longo de sua vida um grande paixão pela antropologia, paixão que foi despertada pelo professor Hermann von Hering, foi, também, discípulo de Paul Rivet, criador do Museu de l´Homme e quem estimulou Paulo Duarte a criar o Instituto de Pré-História. Entre suas amizades no campo das letras, foi amigo, entre outros importantes nomes, de Mário de Andrade, Érico Veríssimo e de Monteiro Lobato. Apesar de, ao que tudo indica, ter tido participação efetiva na criação da USP, não foi reconhecido como um dos fundadores da Instituição. Fundou, em 1962, o Instituto de Pré-História, que depois foi absorvido pela USP. Desenvolve também a atividade de professor universitário e, devido a suas aulas, foi responsável por muitas polêmicas, principalmente devido as criticas que fazia à situação interna do país no período da ditadura. Sua obra é composta por: 'Sob as arcadas' (crônicas), 1927; 'Agora Nós' (crônicas), 1927; 'Que é que há?' (pequena história de uma grande pirataria), 1931; 'Um conluio moral'(ensaio), 1934; 'Variações sobre a gastronomia' (ensaio), 1944; 'Prisão, exílio, luta' (política), 1946; 'Departamento de Cultura, vida e morte de Mário de Andrade', 1946; 'Palmares pelo avesso' (crônicas), 1947; 'Versos de Trilussa' (tradução), 1954; 'O espírito das catedrais' (memória), 1958; 'Paul Rivet por ele mesmo' (tradução), 1960; 'O resto não é silêncio...', 1965; 'O processo dos rinocerontes', 1969; 'Mário de Andrade por ele mesmo' (cartas, prefácio de Antônio Cândido), 1971; 'Memórias', 1974, 'Raízes profundas (2ª ed.)', memórias, 1975; 'Memórias: vou-me embora pra Pasárgada', 1979; 'Memórias n. 9: e vai começar uma era nova', [s.d.].
No dia 16 de março de 1978, o jornalista Sérgio Coelho, correspondente em Sorocaba do jornal 'O Estado de S. Paulo', procura o Prof. Zeferino Vaz, Magnífico Reitor da Unicamp, para comunicar a existência de uma comunidade negra no bairro do Cafundó, município de Salto de Pirapora, interior de São Paulo, que teria, entre outras, a característica de falar uma língua aparentemente de origem africana. Encaminhada a notificação ao Departamento de Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, o Prof. Peter Fry houve por bem procurar os professores Maurizio Gnerre e Carlos Vogt do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem, com o intuito de criar uma equipe interdisciplinar que pudesse esclarecer a situação, nos seus aspectos tanto sociais quanto linguísticos. Logo na primeira visita da equipe na comunidade, gravaram uma conversa que serviu como análise preliminar e, logo em seguida, encaminharam um projeto de pesquisa intitulado 'Os Negros do Cafundó: Linguagem e Comunidade' para a FAPESP que aceitou financiá-lo. Entre Cafundó, na região de Sorocaba, Patrocínio em Minas Gerais, Mogi das Cruzes, Itapetininga, Conceição da Barra (ES) realizaram durante o desenvolvimento da pesquisa um total de 65 visitas. Na maior parte destas visitas, foram realizadas gravações de entrevistas, onde se registraram histórias de vida, histórias das comunidades, incidentes de relevância, tais como brigas por terras, violência e morte, a significação social das linguagens, seus léxicos e estruturas. As demais visitas foram dedicadas à reconstrução da história documental das comunidades de Cafundó e Caxambú e, para tanto, foram realizadas pesquisas nos cartórios de Itapetininga, Sorocaba e Sarapuí, na Cúria de Sorocaba e no arquivo do Estado de São Paulo na cidade de São Paulo. Para o enfoque histórico contaram com a ajuda constante do historiador Robert Slenes, professor da Universidade Federal Fluminense. Os objetivos fundamentais da pesquisa foram, ao mesmo tempo, investigar as relações entre linguagem, cultura e organização social no contexto específico do Cafundó e procurar levantar elementos que pudessem contribuir para o estudo da história da população negra no Estado de São Paulo. Os resultados foram publicados parcialmente em diversos artigos e comunicações durante o desenvolvimento da pesquisa e, posteriormente, de forma mais ampla, no livro 'Cafundó: a África no Brasil - linguagem e sociedade'. Fonte: Documentos do Fundo - Cf. 01 e Cf. 13.
Carlos Franchi nasceu em Jundiaí, SP, em 15 de agosto de 1932. Teve duas formações: Bacharel e Licenciado em Letras Neolatinas pela PUC-Campinas (1954) e Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da USP (1968). Franchi abraçou as duas profissões por certo tempo. Foi professor concursado de Português e Latim em Jundiaí (1951-1955) e Itatiba (1955-1957), e professor também por concurso do Colégio de Aplicação da USP - Universidade Estadual de São Paulo (1957-1971). Entre 1960 e 1961, foi Professor instrutor de didática especial do português na Faculdade de Educação da USP. Entre 1968 e 1969, Franchi regeu aulas de literatura e teoria da literatura na Universidade Nossa Senhora da Medianeira (Jesuítica) de São Paulo. Entre 1967 e 1969, coordenou a área de Português nos Ginásios Pluricurriculares do Estado de São Paulo e fez pós-graduação em Teoria Literária na USP com Antonio Candido. Com problemas em Jundiaí, desde 1964, por advogar para presos políticos, a partir de 1968 a situação começou piorar. Aconselhado por Antonio Candido, Franchi deixou a Teoria Literária, seguindo para Besançon como bolsista ao lado de Haquira Osakabe, Rodolfo Ilari e Carlos Vogt, grupo formado para estudar na França, seguindo um projeto idealizado pelo filósofo Fausto Castilho que visava organizar a área de ciências humanas na Unicamp e que englobava um projeto de formar um Departamento de Linguística. Depois de um período na Université de Franche Comté, em Besançon, onde estudou com Jean Peytard e Yves Gentilhomme e se licenciou em linguística em 1970, Carlos Franchi, ao contrário dos outros três que foram para Paris, seguiu para a Université d´Aix Marseille em Aix-en-Provence, onde estava o amigo Michel Lahud e onde estudou com Claire Blanche Benveniste, Gilles-Gaston Granger e, através de Jean Stéfanini, entrou em contato com os trabalhos de Noam Chomsky. Em 1971, defende sua dissertação de mestrado nessa instituição, sob a orientação de Blanche Benveniste: 'Hypothèses pour une recherche em Syntaxe'. No retorno ao Brasil, teve atuação decisiva na implantação do Departamento de Linguística da Unicamp, tornando-se Assistente-Mestre e Chefe do departamento, cargos que ocupou entre 1971 e 1975. Na função, coordenou a Comissão Organizadora dos Cursos de Pós-graduação em Linguística e dirigiu a primeira expansão do corpo docente em 1973, quando foram contratados professores do Programa de Pós-graduação em Linguística da UFRJ. Em 1976, após um estágio, sob orientação de Marcelo Dascal, na Universidade de Tel-Aviv para pesquisas em Lógica e Linguagem, defende sua tese de doutorado na Unicamp, 'Teoria Funcional da Linguagem', e se torna Professor Doutor. No ano seguinte, o Departamento de Linguística desligou-se do IFCH, cria-se o Departamento de Teoria Literária e é instalado o IEL. Franchi foi Diretor Associado entre 1977 e 1978, durante o mandato do Prof. Antonio Candido. Em 1979 torna-se o Diretor do IEL, cargo que exerceu até 1982, e assume o cargo de Professor Titular até a sua aposentadoria em 1989. Nesse período, foi presidente da ABRALIN - Associação Brasileira de Linguística entre 1977 e 1979, ano em que Franchi pediu afastamento temporário de suas funções de Diretor do IEL e, contando com o apoio da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, foi Visiting scholar junto ao departamento de línguas hispânicas da State University of New York, em Albany (EUA). Entre 1980 e 1981, fez um Estágio de Pós-doutoramento na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA). Após a aposentadoria na Unicamp foi pesquisador visitante no Departamento de Linguística da FFLCH/USP entre 1989 e 2000 e Professor convidado na Unicamp a partir de 1992. Atuou também como Professor visitante em várias universidades brasileiras: UFSC, UNESP, UFRGS, UFRJ, UFRN, UFAL e USP. 'A produção científica do Prof. Franchi é altamente informal, tendo preferido a exposição em seminário ao impresso, e o 'working paper' ao livro, mas é ampla e influente. Trata de temas à primeira vista disparatados, como a sintaxe gerativa-transformacional, o ensino de língua materna e a lógica que subjaz às operações linguísticas, mas tem, a unificá-la, as características da densidade crítica e da riqueza da informação bibliográfica, assim como o retorno sempre enriquecedor a motivos que se revelaram profícuos em vários campos da investigação linguística, como a tese da indeterminação das línguas naturais, a tese de sua historicidade e a de que sua construção depende de um trabalho coletivo que compromete com a história as competências simbólicas mais fundamentais do ser humano' (ILARI, 2002, p. 85). Franchi morreu em 25 de agosto de 2001 em Campinas, SP, 22 dias após receber o título de Professor Emérito da Unicamp.
O Projeto 'Gramática do Português Culto Falado no Brasil', foi criado em 1988 pelo Departamento de Linguística da Unicamp, tendo como coordenador, o Prof. Ataliba Teixeira de Castilho. O projeto tinha como objetivo descrever minuciosamente o português culto falado no Brasil, tal como documentado pelo Projeto NURC, considerando-os em seus aspectos textuais, sintáticos, morfológicos e fonológicos. Os resultados desse projeto estão representados nos oito volumes da publicação 'Gramática do Português Falado', organizado por Ataliba T. de Castilho e editado pela Editora da Unicamp em 1990.
O projeto Memória de Leitura (MLe) foi inicialmente apresentado como projeto individual pela Profa. Dra. Marisa Lajolo em 1992. Foi transformado em projeto integrado com o ingresso da Profa. Dra. Márcia Abreu, em 1994, e da Profa. Dra. Leila Mezan Algranti, em 1995. Desenvolvido junto ao Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, o MLe teve como objetivo o resgate, a construção e o registro de uma história da leitura enquanto prática social, do livro brasileiro e do português (ao lado de outros materiais impressos) enquanto materialidades em torno às quais tal prática se construiu e se desenvolveu no Brasil. Até 1996, a estrutura do projeto dividiu-se em seis vertentes temáticas: 'Memória do Livro Escolar', 'Leitores nas Entrelinhas', 'Imagens de Leitura', 'Memória de Letras' (as pesquisas desenvolvidas no interior destas vertentes ficaram sob a responsabilidade da Profa. Dra. Marisa Lajolo), 'Leituras Populares' (sob a responsabilidade da Profa. Dra. Márcia Abreu) e 'Leituras de Devoção' (sob a responsabilidade da Profa. Dra. Leila Mezan Algranti). Esse primeiro mapeamento de áreas temáticas possibilitou a geração de ensaios, o levantamento e a sistematização de dados relativos à história da leitura, disponibilizados no 'site' do MLe desde abril de 1997: www.unicamp.br/iel/memoria A partir de 1996, os pesquisadores trabalharam os vários campos e objetivos do projeto não mais sob a forma de diferentes vertentes isoladas, com o objetivo de entrecruzar os dados e textos levantados, de forma que a análise de cada tipo iluminasse as demais. A presença do projeto MLe na vida acadêmica manifesta-se através das várias teses, livros e artigos que ele gerou, e dos inúmeros cursos, palestras e comunicações feitas em congressos por docentes e discentes que dele participaram em diferentes graus.
Radha Antonia Pinto Abramo nasceu em São Paulo no dia 4 de dezembro de 1928. Filha de Maria de Lourdes de Almeida Pinto e do jornalista e poeta paulista Decio Abramo. Foi casada com o jornalista Cláudio Abramo (1923-1987), com quem teve duas filhas: Barbara e Berenice. Cursou o Clássico no Colégio São Paulo, formando-se em 1948. Em 1951, cursa História da Arte na École du Louvre (Sorbonne), sob orientação de Jean Cassou. Período em que estagia no Museu, sob orientação de Bernard Dorival, cargo que ocupa até 1952. De volta ao Brasil, trabalha na produção, direção e apresentação do programa da TV Record 'Por um mundo melhor', entre 1954 e 1955. Ainda nesse meio de comunicação, produz e apresenta, entre 1957 e 1964, o programa da TV Tupi 'Arte e Forma', destinado à divulgação das artes plásticas. Nessa mesma época, entre 1958 e 1964, foi Diretora Artística da Galeria Ambiente (SP) e, entre 1965 e 1967, Diretora artística do Centro de Artes Visuais da Folha de São Paulo. Paralelamente, em 1967, foi Diretora Artística da 9ª Bienal Internacional de São Paulo. Ainda nos anos 1960, enquanto historiadora e crítica de arte, colaborou com os jornais 'Diário de São Paulo', 'O Estado de São Paulo', 'O Tempo' e 'Tribuna da Imprensa' (RJ). Entre 1970 e 1971, formou-se em Artes Plásticas, cursou aulas de Pós-graduação na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e viajou para Paris, onde, sob orientação de Lucien Goldman, estuda estética e história da arte na École de Hautes Études en Sciences Sociales. Em 1974, foi Diretora artística da 2ª (e última) Bienal Nacional de São Paulo. No ano seguinte, é presa, junto com o marido, pelo DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), acusados de subversão. Ainda nos anos 1970, foi Diretora do Centro de Pesquisas/IDART - Prefeitura de São Paulo, escreveu críticas de arte na 'Folha de São Paulo' e, com a psicóloga Maria Margarida de Carvalho, desenvolveu estudos de arterapia no Hospital das Clínicas de São Paulo e no Centro de Psicologia de São Paulo e fez ensaios de psicologia e da aplicação de métodos de 'Terapias Expressivas' em institutos terapêuticos, universidades e, em especial, nos presídios do estado de São Paulo. Na primeira metade dos anos de 1980 volta a residir na Europa, ficando entre Paris e Londres. Nesse período, participa de pesquisas no norte da África, na França e na Itália. Em 1985, retorna ao Brasil e, convidada pelo governador Franco Montoro, monta, instala e é nomeada Curadora do Acervo Artístico Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, cargo que ocuparia até aposentar-se em 1998. Entre 1984 e 1987, é responsável pela mostra internacional 'Da Cor e do desenho do Brasil', projeto que percorreu inúmeros países europeus mostrando a qualidade das obras dos brasileiros. Em 1986, é curadora da Bienal de Veneza/Brasil. Radha Abramo participou da elaboração e construção de vários projetos de Arte Pública: 'Museu da Praça da Sé', 'Arte no Metrô de São Paulo', 'Praça da memória' - Arquivo do Estado, Campus da Cidade Universitária' e Projeto 'Eu Vi o Mundo... Ele Começava no Recife', com Cícero Dias e Francisco Brennand, e, em Lisboa, com um grande mural de Luiz Ventura, na Estação Restauradores, quando da 'Comemoração dos 500 Anos do Brasil'. Professora, museóloga, historiadora e crítica de arte, publicou estudos e comentários históricos/críticos de artes plásticas da Europa e da América Latina em diversos jornais, revistas e como capítulos de livros. Como crítica de arte, realizou diversas apresentações de artistas plásticos brasileiros, em catálogos para mostras nacionais e estrangeiras em galerias de arte. Fez parte de comissões culturais e executou diversos projetos de pesquisa na área da cultura e da educação e fez inúmeras mostras e participou de salões de arte no Brasil e no exterior. Foi membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte - ABCA, da Associação Internacional de Críticos de Arte - AICA, da Internacional Council of Monuments and Sites - ICOMOS/Brasil, do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, e, em 1983, participou da fundação da ONG Comissão Teotônio Vilela de Defesa da Pessoa Humana. Dentre os muitos prêmios recebidos, ganha em 2003 o prêmio Mario de Andrade da ABCA. Em 2004, é curadora da exposição 'Uma Viagem de 450 anos' no SESC Pompéia, São Paulo, em comemoração do aniversário da cidade. Em 2005, é curadora da 'Exposição Caderno de Notas - Vlado, 30 anos', exposição que acontece nas antigas celas do DEOPS (Departamento Estadual da Ordem Política e Social), atualmente integradas à Estação Pinacoteca, organizada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo em memória do jornalista Vladimir Herzog, no 30º aniversário de seu assassinato. Radha falece em São Paulo no dia 24 de julho de 2013.