O Prof. Dr. Fortunato Antônio Badan Palhares, nascido em São Paulo–SP em 27 de junho de 1943, é um renomado médico legista, professor universitário e pesquisador com uma vasta trajetória acadêmica e profissional, especialmente na área de Medicina Legal. Sua formação acadêmica é extensa e diversificada, abrangendo cursos técnicos, graduações, especializações e doutorado. Ele concluiu o Curso Técnico de Laboratório de Análises Clínicas pela FCM/Unicamp em 1967, formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, Portugal (1967-1971), e também pela FCM/Unicamp (1971-1974). Em 1985, obteve seu doutorado na Unicamp, com a tese intitulada "Efeitos Lesivos Causados pelo Uso Indiscriminado do Gás Lacrimogênio ‘CN’". Além disso, especializou-se em Medicina Legal pelo Conselho Federal de Medicina do Estado de São Paulo.
Trajetória na Unicamp
Na Unicamp, destacou-se por sua atuação tanto acadêmica quanto administrativa. Foi técnico de laboratório no Departamento de Histologia e assumiu diversas funções como docente no Departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal, que posteriormente originou o Departamento de Medicina Legal. Sua progressão acadêmica incluiu cargos de Professor Assistente e Professor Doutor, alcançando posições de liderança, como chefe e vice-chefe do departamento em diferentes períodos (1986-1995). Também coordenou importantes iniciativas, como a integração do Centro Regional de Maus Tratos na Infância ao departamento e o emblemático Projeto Ossadas de Perus (1990-1991), que visava identificar restos mortais de vítimas de violência política durante a ditadura militar brasileira.
Entre outras responsabilidades, foi coordenador de disciplinas na área de Medicina Legal, membro da Comissão de Ética Médica e presidente da Comissão de Revalidação de Diplomas Estrangeiros da FCM/Unicamp, além de atuar no setor pericial do departamento.
Atuação Externa
Fora da Unicamp, Dr. Badan Palhares contribuiu em instituições como o Instituto de Anatomia Patológica e Citopatologia de Campinas, Pontifícia Universidade Católica de Campinas e o Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo e Campinas, onde atuou como médico legista efetivo. Foi professor de Medicina Legal no Instituto Médico Legal de São Paulo e na Academia Nacional de Polícia de Brasília. Também ocupou cargos de liderança em entidades como a Sociedade Brasileira de Medicina Legal, sendo vice-presidente em 1986, e o Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância.
Reconhecimentos e Impacto
Sua carreira é marcada pela excelência no ensino, pesquisa e prática médica, com contribuições significativas à Medicina Legal, perícia forense e ética médica. Foi consultor “ad hoc” de importantes órgãos de pesquisa e membro ativo em conselhos e comissões dedicadas à ética médica, evidenciando seu compromisso com a formação de profissionais e o fortalecimento da ciência no Brasil.
Dr. Badan Palhares é reconhecido como um dos principais especialistas brasileiros em Medicina Legal, com impacto relevante na formação acadêmica, perícia científica e investigações que contribuíram para a justiça e a preservação dos direitos humanos.
Carlos Franchi nasce em quinze de agosto de 1932, em Jundiaí, interior de São Paulo.
Ao longo da vida, diploma-se com duas formações acadêmicas: bacharel e licenciado em Letras Neolatinas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), em 1954; e bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em 1968. Por certo tempo, Carlos Franchi exerce as duas profissões. Entre 1951 e 1955, é professor concursado de Português e Latim em Jundiaí e, entre 1955 e 1957, em Itatiba. Entre os anos de 1957 e 1971, é professor concursado do Colégio de Aplicação da USP, e, entre 1960 e 1961, professor instrutor de didática especial do português na Faculdade de Educação da USP. Já entre 1968 e 1969, Franchi ministra aulas de Literatura e Teoria da Literatura na Universidade Nossa Senhora da Medianeira (Jesuítica) de São Paulo. Entre 1967 e 1969, coordena a área de Português nos Ginásios Pluricurriculares do Estado de São Paulo. Nos mesmos anos, cursa a pós-graduação em Teoria Literária na USP, sob orientação de Antonio Candido.
Tendo desde 1964 problemas por advogar para presos políticos em Jundiaí, a partir de 1968 a situação começa a piorar. Aconselhado por Antonio Candido, Carlos Franchi deixa a Teoria Literária e segue para Besançon como bolsista ao lado de Haquira Osakabe, Rodolfo Ilari e Carlos Vogt. Juntos, esses integrantes compõem um grupo formado para estudar na França, seguindo um projeto idealizado pelo filósofo Fausto Castilho, que visava organizar a área de Ciências Humanas na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), o que englobava também um projeto para a formação de um Departamento de Linguística na Instituição.
Depois de um período na Université de Franche Comté, em Besançon, onde estuda com Jean Peytard e Yves Gentilhomme, licencia-se em Linguística no ano de 1970. Em seguida, tomando um rumo diverso dos outros integrantes do grupo, segue para a Université d'Aix Marseille em Aix-en-Provence, onde estava o amigo Michel Lahud, e estuda com Claire Blanche Benveniste e Gilles-Gaston Granger. Nesse período, através de Jean Stéfanini, entra em contato com os trabalhos de Noam Chomsky. Em 1971, defende sua dissertação de mestrado nessa instituição, sob a orientação de Blanche Benveniste, intitulada "Hypothèses pour une recherche em Syntaxe".
No retorno ao Brasil, Carlos Franchi tem atuação decisiva na implantação do Departamento de Linguística da UNICAMP, tornando-se assistente-mestre e chefe do departamento, cargos que ocupa entre 1971 e 1975. Nessas funções, coordena a Comissão Organizadora dos Cursos de Pós-Graduação em Linguística e dirige a primeira expansão do corpo docente em 1973, momento em que são contratados professores vindos do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Em 1976, após realizar na Universidade de Tel-Aviv um estágio para pesquisas em Lógica e Linguagem, sob orientação de Marcelo Dascal, Carlos Franchi defende sua tese de doutorado na UNICAMP, intitulada "Teoria Funcional da Linguagem". No ano seguinte, o Departamento de Linguística da UNICAMP desmembra-se do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH - UNICAMP), instalando-se no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL - UNICAMP). Franchi exerce as funções de Diretor Associado do IEL entre 1977 e 1978, durante o mandato do Prof. Antonio Candido. Em 1979, torna-se o Diretor do IEL, exercendo o cargo até 1982, e assume o cargo de Professor Titular até a sua aposentadoria, em 1989.
Nesse período, é presidente da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN), entre 1977 e 1979, ano em que solicita afastamento temporário de suas funções de Diretor do IEL. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), realiza a atividade de "visiting scholar" junto ao Departamento de Línguas Hispânicas da State University of New York, em Albany (EUA). Entre 1980 e 1981, faz um estágio de pós-doutoramento na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA).
Posteriormente à aposentadoria na UNICAMP, é pesquisador visitante no Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH - USP) entre 1989 e 2000, e professor convidado na UNICAMP, a partir de 1992. Atua também como professor visitante em várias universidades brasileiras: Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade de São Paulo (USP).
Segundo Rodolfo Ilari (2002, p. 85), "A produção científica do Prof. Franchi é altamente informal, tendo preferido a exposição em seminário ao impresso, e o 'working paper' ao livro, mas é ampla e influente. Trata de temas à primeira vista disparatados, como a sintaxe gerativa-transformacional, o ensino de língua materna e a lógica que subjaz às operações linguísticas, mas tem, a unificá-la, as características da densidade crítica e da riqueza da informação bibliográfica, assim como o retorno sempre enriquecedor a motivos que se revelaram profícuos em vários campos da investigação linguística, como a tese da indeterminação das línguas naturais, a tese de sua historicidade e a de que sua construção depende de um trabalho coletivo que compromete com a história as competências simbólicas mais fundamentais do ser humano".
Carlos Franchi falece em 25 de agosto de 2001 na cidade de Campinas, 22 dias após receber o título de Professor Emérito da UNICAMP.
