O Supremo Tribunal de Justiça, previsto na Constituição de 1824, foi instituído por lei de 18 de setembro de 1828, substituindo o Tribunal da Mesa do Desembargo do Paço e a Mesa da Consciência e Ordens. Possuía as seguintes competências: conceder ou denegar revistas nas causas; conhecer dos delitos e erros de ofício dos ministros das Relações, os empregados no corpo diplomático e os presidentes de províncias; conhecer e decidir sobre os conflitos de jurisdição e competência das Relações das províncias. Sua atuação não começou de forma imediata, tendo sido necessário um período de cerca de três anos para sua organização. Não funcionava em nível de última instância e sim como tribunal de revista e acabou por absorver todas as responsabilidades que cabiam à Casa da Suplicação do Brasil. O decreto de 31/08/1829 estabeleceu que as causas eclesiásticas fossem julgadas em segunda e última instância na Relação competente. Este dispositivo legal foi modificado pelo decreto de 20/12/1830, o qual dispôs que cabia a revista para o Supremo Tribunal de Justiça de todas as sentenças proferidas em última instância nos tribunais eclesiásticos, salvo se as matérias julgadas fossem meramente espirituais. Posteriormente, a lei nº 609 de 18/08/1851 delegou ao Supremo Tribunal de Justiça uma nova atribuição: processar e julgar os arcebispos e bispos do Império nas causas que não fossem puramente espirituais. Foi extinto com o advento da República e a criação do Supremo Tribunal Federal pelo decreto nº 1 de 26/02/1891.
Filho de João Tarallo e Ida Cavalli Tarallo, Fernando Luiz Tarallo nasce em 22 de abril de 1951 em Louveira, na época distrito de Vinhedo.
Entre 1966 e 1968, Tarallo frequenta o curso Clássico do Colégio Estadual Prof. José Romeiro Pereira, na cidade de Jundiaí, onde conhece o então professor de Latim Carlos Franchi, que mais tarde vem a ser seu colega de departamento no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Fernando Luiz Tarallo se gradua em Licenciatura em Letras (Português, Alemão e Latim), na Universidade de São Paulo (USP), em 1974. Como forma de se sustentar em São Paulo durante a graduação, ministra aulas em cursos supletivos e de segundo grau, além de aulas particulares. Ainda durante a graduação, integra a primeira equipe de documentadores do Projeto de Estudo da Norma Urbana Linguística Culta da Cidade de São Paulo, constituída por Ada Natal Rodrigues, na qual atua até 1973.
Terminada a graduação, ministra cursos de língua alemã, na Faculdade Ibero-Americana de Letras e Ciências Humanas, em São Paulo, entre 1975 e 1976. No ano de 1976, leciona também na Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Araraquara.
Entre 1976 e 1977, cursa especialização em Germanística na Universidade Albert-Ludwig, em Freiburg im Breisgau, Alemanha. Em 1978, é aprovado com distinção no mestrado em Língua e Literatura Alemãs pela USP, de onde segue para a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, aproximando-se de Gillian Sankoff, William Labov e Anthony Kroch, que orientam seu doutorado em Linguística, obtido em 1983, com a tese "Relativization strategies in brazilian portuguese".
De volta ao Brasil, Tarallo leciona Sociolinguística na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), entre 1983 e 1987. Ingressa no quadro docente do Departamento de Linguística da UNICAMP em 1983. Nesse Departamento, desenvolve com plenitude sua carreira de professor (Sociolinguística, Linguística Histórica, Sintaxe) e de pesquisador. Entre 1986 e 1989, realiza estágios de pós-doutorado na Universidade da Cidade de Nova Iorque, no Seminário de Romanística da Universidade de Hamburgo e na Universidade de Ottawa.
A partir de 1988, passa a integrar o "Projeto de Gramática do Português Falado", desenvolvendo a atividade de coordenador do grupo de trabalho de Sintaxe II, juntamente com a professora Mary Kato. Durante sua docência, orienta dezessete dissertações de mestrado e três teses de doutorado. Também escreve as obras: "A Pesquisa Sociolinguística" (1985); "Falares Crioulos: Línguas em Contato", em coautoria com Tânia Alkmin (1987); e "Vozes e Contrastes: Discursos no Campo e na Cidade", em coautoria com Eni Orlandi e Eduardo Guimarães (1989). Trata-se, esse último, da publicação dos resultados do projeto de pesquisa "Produtividade e/ou Criatividade: um estudo da linguagem cotidiana da zona rural em situação de contato", um projeto interdisciplinar e de integração entre a UNICAMP e a comunidade, proposto pela professora Eni Orlandi, no âmbito de um Projeto Global do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação - NEPA, na UNICAMP. Organiza ainda o livro "Fotografias Sociolinguísticas" (1989).
Em 1990, publica o livro "Tempos Linguísticos". No mesmo ano, torna-se livre-docente na UNICAMP, com a média dez. Ao longo de suas atividades, escreve 23 ensaios para revistas nacionais e estrangeiras, e participa ativamente de inúmeros congressos no país e no exterior. Em 1991, é contemplado com uma Bolsa de Reconhecimento Acadêmico "Zeferino Vaz".
Fernando Luiz Tarallo falece em sete de abril de 1992.
